
Dentista e comerciante
Há quase 60 anos João Antônio Sombrio deixou as terras da família em Braço do Norte para se tornar o João Dentista em Porto Belo, tornando-se testemunha e personagem das mudanças que a cidade tem vivido desde então.



“Eu vivo do que eu produzo com a minha mão”, garante Johannes Lacerda, um jovem ceramista com muito caminho pela frente
“Eu vivo do que eu produzo com a minha mão”, garante Johannes Lacerda, um jovem ceramista com muito caminho pela frente
Seu Aldo Rocha nunca foi um grande pecuarista, mas já teve todo o rebanho da península sob seus cuidados de vacinador e veterinário prático.



Telma Freitas é uma mãe pela diversidade. Militante da causa LGBT+, essa paulista criada na Mooca passou dificuldades na infância, marcada pela violência doméstica, construiu a vida no Centro-Oeste, embalada no samba, e hoje, mãe de uma pessoa trans, ajuda outras famílias a acolher as diferenças e a enfrentar a discriminação.
Ao lado da Bread King, no Alto Perequê, uma placa fixada no muro em outubro de 2017 indica que a praça da localidade homenageia Manoel Honorato da Silva. Poucos passos adiante, no outro lado da avenida principal, está a Servidão Silva e o lar de dona Teia, a viúva do homenageado e memória do lugar. Se quiser saber sobre a Rua do Fogo, é a ela que se tem de perguntar

Há quase 60 anos João Antônio Sombrio deixou as terras da família em Braço do Norte para se tornar o João Dentista em Porto Belo, tornando-se testemunha e personagem das mudanças que a cidade tem vivido desde então.

Faz 40 anos que o paulistano Osvaldo Di Pietro pisou pela primeira vez em Porto Belo. Decidiu que era onde queria ficar. Conquistou amigos, constituiu família e consolidou uma carreira profissional baseada numa grande paixão: o esporte.

Embora tenha nascido num bairro de Itajaí, Maria Ivone Amâncio só veio a conhecer a cidade natal depois de 22 anos de peregrinação, impulsionada pelo desassossego de seu pai, em permanente mudança. Dali, seguiu os pais até Porto Belo, onde conheceu seu futuro marido e fincou raízes num enclave familiar em pleno centro da cidade: a Vila Mateus. Fundada pelo sogro de Ivone, a pequena comunidade foi centro administrativo nos anos 1960 e hoje permanece um reduto discreto aos pés do morro da Estação.

A música como ganha-pão, ideal artístico, discurso filosófico; a corrida como celebração da vontade e da resistência que não conhece limites: duas facetas do músico nativo André Gomes de Miranda, um artista em busca de si mesmo.

O Valongo vive no coração de José Carlos Caetano, agricultor e funcionário público que reparte os dias da semana entre seu trabalho pela Prefeitura, varrendo as ruas do centro, e o cuidado com sua criação e suas plantas na sua comunidade de origem. No cotidiano deste autêntico homem da roça faz-se a ponte entre extremos geográficos, étnicos e culturais e desvelam-se as peculiaridades do bairro mais original desta península.

Tornar-se músico foi uma resposta ao desafio espertamente lançado pelo pai. Mais que a aprovação paterna, Carlinhos Ribeiro encontrou uma conexão com suas origens e hoje alimenta o desejo revolucionário de transformar a realidade por meio da arte.

Não espere tanta seriedade de Arão Francisco Mafra. Aos 74 anos de idade, este pescador aposentado nascido na “Praia Grande” tem humor de garoto. Adora inventar histórias de conhecidos, que ventila pelos bares como se fossem reais, de pregar peças e brigar com galos.

“Meus filhos não vão passar pelo que passei”. Mais que um desejo, essa certeza direcionou a trajetória de Iracema Soares, nascida de família humilde e desde nova acostumada às agruras da vida. Para cumprir com esse destino, trabalhou duro e sofreu, mas hoje sente a satisfação de saber que sua missão foi concluída com êxito.

Pelo faro, seu Alvancir da Silva determina se a fornada está no ponto. Nativo do Sertão de Santa Luzia, Didico, como é conhecido, preserva a tradição dos engenhos de farinha — é proprietário de um dos poucos que Porto Belo ainda preserva. Lavrador a vida inteira, já não tem saúde para atuar diretamente na lida, mas passa para as filhas o que sabe e, com sua experiência, ajuda a manter azeitadas as engrenagens dessa arte popular.

O italiano Giuseppino Nicoletti tem um quê de Forrest Gump: percorreu, no decorrer de sua longa existência, fatos e personalidades marcantes. Ao lado do irmão Bruno, fez mais que testemunhar: foi agente da história, ao exercer o papel de pioneiro do mergulho e fabricar roupas de borracha na Argentina, no Chile e na Venezuela quando ninguém mais fazia. Há quase três décadas vivendo em Porto Belo, esse aventureiro discreto segue sendo a referência da Pino — sua marca de roupas de neoprene — enquanto observa com que velocidade a cidade se transforma à sua volta.

O que leva uma pessoa a dispensar o tempo livre, as horas de sono e até alguma economia para cuidar de um bem público, sem que ninguém lhe tenha pedido ou determinado? Para Luiz Apolinário Santos, a resposta é sucinta: “Porque gosto. Me sinto bem fazendo isso”. Pois Luizinho da Ambulância é o anjo da Pedro Guerreiro, situada na “tríplice fronteira” do CTG, Perequê e Vila Nova e em quase tudo igual a qualquer outra rua do município — salvo pela dedicação de seu mais ilustre morador.

Das margens de rodovia do planalto catarinense à beira-mar em Porto Belo, seu Kalil não fugiu ao clichê que atribui a todo filho de árabe um lugar atrás do balcão. Foi comerciante quase a vida inteira e, ainda que a idade tenha chegado, não pensa em parar: “Se parar, a gente morre”, calcula esse senhor de 81 anos nascido em Mafra e que rodou muita cidade antes de fincar raízes na Enseada Encantada, onde terminou de encaminhar os filhos e construiu uma vida tranquila — ocasionalmente perturbada pelo ininterrupto transitar de caminhões na Governador Celso Ramos.
