Evidente que se trata de um fenômeno característico de cidade pequena — ainda menor no tempo em que se passaram as histórias que as pessoas nos contam, na verdade. Mas o fato de várias passagens da vida dos personagens que entrevistamos se conectarem em determinados pontos não deixa de ser interessante.

Vira e mexe algum dos entrevistados conta um fato que já havíamos ouvido. Legal que, sendo assim, acabamos tendo contato com esse acontecimento por mais de um olhar; conseguimos mais de uma versão para a mesma história. Quando isso acontece, sempre rola de nos olharmos como se um dissesse para o outro: “Lembra dessa?”

É o parto da filha da dona Ivone, feito pelo seu Bráulio três dias depois de este chegar a Porto Belo, contado por ambos; o outro parto dela, feito em Tijucas, quando foi levada pelo jipe do seu Neném Matias, mesmo carro em que seu Arão, ainda moleque, se aventurava nas andanças com o patrão, político; as duas entrevistas consecutivas, com seu Carlinhos e seu Samuel, em que a relação entre negros e brancos foi citada.

E assim seguimos, contando histórias que se conectam e criam uma tessitura que nos permite quase enxergar uma cidade de outro tempo. A Porto Belo daquela época ainda está viva, na memória dessas pessoas e nas histórias que contam. Sorte a nossa ter a oportunidade de ouvi-las e registrá-las.

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